sábado, 6 de dezembro de 2014

Dona Gertudes

Gertrudes,,,, esse nome diferente !
Todas as vezes que esse nome escuto me vem na mente a imagem  de dona Gertrudes , uma senhora que passava roupa para mamãe e fazia faxina no apartamento novo da Artur no ano que o Rodrigo nasceu !
Ela era também diferente , era alta e muito magra era velha e enrugada mas estava sempre limpinha com sua saia rodada comprida feita de algodão cru ela era tão falante e eu gostava de ficar junto dela e escutar historias que ela contava de outra gente de outro lugar..... eu achava interessante tanta coisa diferente que ela tinha pra contar .... e um dia ela quis me ensinar a forma que eu devia levar o meu dinheiro quando saisse na rua e para ninguem me roubar ......Ela disse que carregava presa dentro de sua saia uma bolsinha de pano e la ela colocava o dinheiro enroladinho e dessa forma era dificil alguem roubar o dinheiro que  com seu trabalho recebia ! 
Nunca a tal bolsinha fiz..... e nunca mais a diferente senhora eu vi.... mas a cena ficou para sempre gravada em mim e com a cena ficou Dona Gertrudes com sua roupa limpinha e as historias que contava pra mim!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Tudo passa.....

Hoje o que senti não foi bom.... mas sei que como tudo .....isso também vai passar.....
entrei na net e busquei nos mapas então encontrei as ruas de minha infância as casas que eu morei .... são tantas lembranças bonitas , lembranças de um tempo distante de um um mundo diferente
onde tudo parecia bem mais vivo ,mais humano, as ruas eram mais tranquilas .....
era tudo familiar !!!!
Hoje vi que a soleira branca da nossa casinha da Artur nem está mais por la e até mesmo a porta verde retiraram do lugar !
Também fui olhar o parquinho .... mas ele já não existe mais , no seu lugar construíram casas, lojas e um bar.... tudo muda .... tudo passa.... mas o que nunca passará são os momentos vividos ...os sons de festa e de risos.... os abraços os encontros.... a vida vivida em cada tempo em cada lugar !!!
Não foi a soleira não foi a porta não foi também o parquinho o que me fez entristecer mas foi a saudades daqueles que hoje já não posso ver .... muitos porque já partiram, outros porque o tempo nos separou e outros porque a vida nos distanciou .....
Mas enfim esta e a vida e assim devo viver .... e assim como tudo passa ...isso também vai passar !

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O gato a miar!

Essa noite eu ouvia um gato que tanto miava !!!
Eu pensava o que será que tem esse gato....
Será que está no quintal e não consegue pular o muro e pra sua casa voltar?
Dormia um soninho e acordava com o som do gato a miar... 
Que será que tem esse gato? será que não quer mais parar de miar?
E assim a madrugada passou ....
Dormia ... acordava... e ouvia o gato miar !!!
Quando estava amanhecendo resolvi desistir de dormir, levantei fui pra cozinha um cafezinho fazer!
Olhei pra fora e o Queijo nome que demos ao gato que adotou nosso lar estava a me observar...
Pensei ....que bom ele parou de miar !!!!
Mas ainda mais alto um miado escuto noa ar .... 
O som vinha da sala !!!! 
Pensei... será que tem um gato por lá ?
Chamei o Toninho com medo de um susto tomar ....
E quando ele veio encontrou um gato miando e a cortina a balançar E na janela estava o gato a miar !!!! O gato não era o Queijo !
Espantado o gato saiu correndo..... e até agora não mais voltou!!!

Vestidos que vesti

Tinha casinha de abelhas o vestido branco que usei no meu baile de debutantes e com sonho de menina deslizei pelo salão do clube Português  dançando a Valsa do Imperador ! 
No ano seguinte de turqueza desfilei no salão do clube Pinheiros como patronesse e adorei!
Eram bailes glamourosos de muita luz, som e cor e eram tão animados ..... quanta festa ..... quanta diversão!
Usei o mesmo turquesa no casamento de minha tia e sentia dentro dele radiante.... quanta alegria!!!!
Depois quando pela primeira vez me casei usei o vestido que essa mesma tia usou , nem me lembro como era ele .... só me lembro que não era meu!
Quando pela segunda vez me casei escolhi com carinho um tailer todo branco e como morava longe pois no interior a faculdade fui cursar ,deixei encomendado pra eu pegar uns dias antes de me casar....mas quando cheguei .... nem podia acreditar aquele tailer escolhido branquinho... era tão lindo .... já tinha sido vendido.... tive que comprar um bege ,era o que eles tinham para mim, e tempo eu não tinha mais para outro vestido encontrar ..... tive que levar o tailer bege e assim eu me casei !!!
E meu casamento tem sido dia a dia mais feliz .... 
Passaram -se 34 anos e bodas de oliveira fizemos!!!
E nesse mesmo dia usei meu vestido de renda vermelho....
Ah.... esse eu escolhi e me senti tão feliz !!!!
De mãos dadas com meu filho e o levando ao altar para então se casar!





Vestido de caipira

Me vejo tão linda !!!! vestida de chita.
Estou pronta pra dançar.... 
Quadrilha la no parquinho para a festa junina alegrar
Quem me vestiu foi a mamãe!!! 
Me vejo ela está colocando cada peça com cuidado...
Devagar e com muito tato ela ia me botando a meia calça e a calçola e como sempre ...vestia também a Mo
O vestido era azul com rendinhas pra enfeitar! 
Tinha uma saia rodada que eu gostava de girar!
A manga era comprida e a gola era  bem fechada para não me resfriar .... 
Ah...na cabeça um chapéu de palha e tinha também as rendinhas!!!!
Enfim ficamos vestidas as duas bem iguaizinhas...
Estamos até maquiadas com os olhos de gatinho... e sem faltar as pintinhas nas bochechas vermelhinhas!
E assim me sentindo caipirinha...
Ficava eu a dançar e brincava com a maninha!
Obrigada mamãezinha por tanta dedicação e por ter proporcionado momentos que ficaram para sempre gravados no meu coração!




sábado, 11 de outubro de 2014

A soleira de marmore branco

A soleira da porta verde da nossa casinha da Artur era branca era de mármore e eu esfreguei de dar dó !!!!
Mamãe sempre queria ver aquela pedra bem branca ainda mais branca ficar .....
E então me incumbia do serviço realizar .
Eu ia lá com sapólio e também com uma escovinha me ajoelhava e esfregava para tirar todo pó !
E a pedra reluzia que era de admirar !
Depois de fazer meu trabalho ,entrava e fechava a porta 
E deixava a formosa pedra irradiar sua candura...... para todos que da nossa casa quisessem se aproximar!
E a linda pedra de mármore que por tantos anos cuidei ....
Nem sei se ainda está la !!!!
Ou se já não é de mais ninguém!

A pera, o parquinho e o lanche

A pera .... que doce aroma... 
Quando dela como um pedaço logo lembro do parquinho ....
O meu parquinho da infância onde passei tantos anos no inicio de minha vida!!!
Me lembro como me lembro da hora do meu lanchinho.... e daquela menina que se sentava ao meu lado !!!
Ela era diferente , tinha um problema neurológico  e falar ela não sabia, comer quase não conseguia mas fazia tamanho esforço que até me comovia...
Me lembro que ela trazia um lanche sempre embrulhado em um papel laminado e quando o lanchinho ela abria um doce perfume eu sentia era o perfume de pera da pera que ela trazia naquele papel bem brilhante e devagar ela comia!!!
Eu ficava olhando pra ela e de nada eu entendia! Eu era muito pequena mas sentia muita dó .....
E ficou na minha mente a pera o parquinho e o lanche ....
Mas também ficou em mim o desejo de saber por onde anda a menina que se sentava ao meu lado para a pera comer !

Sapato de verniz

Um dia naquela armario da mamãe me aproximei....
Abri a porta e la vi um lindo sapato de salto !
brilhava, brilhava sim .
Verniz era o nome que davam para o sapato brilhar assim !
Era preto e muito alto era lindo o tal sapato
E eu pequena muito pequena queria entrar no sapato
E me sentir igualzinha a mamãe que era linda pra mim!
Mas quando meus pezinhos nos sapatos se instalaram perdi o equilibrio e cai ...
Cai do alto do salto !
Só então eu percebi que aquele sapato bonito não era para o meu bico.
O sapato de verniz era pra mamãe não pra mim!

O aparelho de chá de louça



Mamãe chegou e falou :
- Estou contente com o que hoje comprei pra você , tenho certeza de que você vai adorar !
- Me disseram que uma mulher estava vendendo uma caixa de aparelho de chá todo de louça para criança brincar, logo pensei em você e sai para comprar ,olha só .... veja se vai gostar !
Eu era muito pequena mas o que mais me encantou foi a mamãe ter comprado o presente especialmente para mim, não era de mais ninguém, ela pensou foi em mim ....
Foi por isso que fiquei tão feliz por receber a caixa de aparelho de chá para eu brincar !
Brincava com muito cuidado para nenhuma peça quebrar, chamava a maninha e brincava, brincavamos até cansar.... depois com cuidado guardava cada peça em seu lugar todas bem acomodadas naquela caixa quadrada bonita de papelão.
Mas o maninho não sei ..... acho que era ciumes o que tinha ,pegou minha caixa de aparelho de chá de louça e começou uma a uma cada peça quebrar!
Eu comecei a chorar vendo tudo se quebrar !
Chamei a mamãe mas já não deu tempo......
Meu aparelho de chá de louça em mil pedacinhos ficou e eu la no chão querendo juntar os pedaços ,as lagrimas ficavam rolando e eu vendo que o presente que a mamãe comprou pra mim estava no chão feito cacos ...
As xícaras tão pequeninas ,os pires a mantegueira com seus desenhos azuis estavam todos quebrados nada mais seria guardado naquela caixa quadrada bonita de papelão !
Mas guardei na minha lembrança o amor que mamãe teve quando quiz comprar pra mim um aparelho de chá de louça que era só para mim !

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Escada amarela

Naquela escada amarela quantas vezes eu brinquei .....
era amarela,era de pedra e dos 7 aos 18 anos aqueles degraus muitas vezes pisei !
Todos os dias  pegava um baldinho com agua , sapolio e um paninho e esfregava desde o alto cada um de seus degraus até ficar bem limpinho .
E então iniciava a viagem tão planejada pois a escada amarela se transformava no carro que eu brincava sempre usava os três primeiros degraus da parte de baixo da escada ao lado a muretinha era a minha janelinha do outro lado acomodava direitinho minha amada maninha no degrau de tras colocava as bonecas os cobertores e alguma comidinha e assim com tudo acomodado partiamos para nossa viagem! 
Quantas viagens fizemos eu as bonecas e a amada maninha ,quantos mundos visitamos, iamos sempre cantando e ficavamos por muito tempo passeando ! 
Que saudades da nossa escada de pedra amarela que nos levou tanto a passear sem nunca sair do lugar!

domingo, 14 de setembro de 2014

Noite de Santo Antonio



Em um  lugar bem distante e num tempo distante meio seculo daqui na cidade São Paulo minha terra natal Pinheiros bairro que me viu crescer em frente a casinha da rua Artur Azevedo 1805 uma fogueira eu vejo e ......
suas grandes labaredas dançam agitadas alegrando a meninada 
a noite é de Santo Antônio que mamãe tinha grande devoção 
e todo ano preparava para sua comemoração 
quentão,pipoca e um bolo de fubá bem grandão, ela dizia que era pra comemorar o aniversariante do dia e que todos os que tinham Antonio no nome deviam também festejar eu ficava feliz  por que no meu nome tinha um pouco do santo também e assim eu passei a admirar o santo que todo o ano mamãe preparava um bolo de fubá para o dia do santo comemorar
reuniam-se os vizinhos debaixo do nosso poste e mais a luz do luar pra festejar animados o dia do dito santo.
A noite passava assim .....
A gente comendo pipoca, 
cantando cantigas juninas que hoje ninguém se lembra mais 
Mas que cantarolava sempre e que trago bem gravada em mim e uma delas diz assim..

Com a filha de João Antônio ia se casar
mas Pedro fugiu com a noiva na hora de ir para o altar 
A fogueira está queimando, os balões estão subindo
João estava chorando e Pedro estava fugindo
e no fim desta historia ao apagar -se a fogueira 
João consolava Antônio que caiu na bebedeira 

e todos cantavam as crianças brincavam
outros dançavam na calçada bem rente a sarjeta
E olhando paro o céu a gente avistava com alegria coloridos e
iluminados balões
era lindo ..... 
Tudo era diferente, tudo era bem mais simples,e
com bem pouco quase nada acabava tudo em festa.
Era assim naquele tempo, era assim naquele lugar ! Mas isto tudo está lá meio seculo atrás



arredores da casa da artur

sábado, 13 de setembro de 2014

Pega você cao


Me lembro ainda me lembro
Eu era muito pequena acho que tinha uns dois anos
A casa também bem pequena 
Me lembro eu estava lá
Me lembro ou ouvi alguém me contar
Sei que ficava com meu irmão no portão sempre a me ensinar
Que você na uá socissa não pó de pega você cao
Ele também tão pequeno de me perder tinha medo
E ficava a me cuidar
Cuidados de um pequeno menino
Que medo tinha de sua maninha 
Correndo pra rua sozinha um carro poder pegar
Me lembro não sei se me lembro 
Ou será que ouvi alguém me contar ?

A blusa de banlon



Mamãe sempre tão materna gostava sempre de me vestir com roupa igual de maninha e então sair por ai.
Um dia ela nos vestiu com uma saia branca ela era de algodão e uma blusa vermelha que se chamava banlon, na moda naquele tempo, naquele tempo tão bom.
Mamãe também colocou a sua saia branquinha e pra não ficar diferente ela também botou sua blusa vermelha e igualzinha a nós ficou.
Então saimos as tres alegres a passear descemos a rua Pinheiros para o vovô visitar, eu me sentindo importante vestindo igual a mamãe com minha  blusa vermelha que se chamava banlon !



O ziper no pipi

Naquele dia ai meu Deus
que correria danada
mamãe saiu pra comprar um lanche pra meninada
ficamos em casa brincando maninho, maninha e eu
maninho ficou apertado e um xixi foi fazer 
e naquela pressa danada querendo voltar pra brincar 
o ziper fechou correndo 
e os dentes do tal do  ziper 
mordeu um pedaço da pele do pipi do apressado
Quando vi lá estava ele sentado no chão e chorando, 
chorando desesperado.
Eu corri para a vizinha 
a querida Maria Antonia que logo correu para acudir 
o pequeno apressado, 
e com aquele jeitinho amoroso que só uma mãe é que tem 
livrou o pipi do maninho do ziper esfomeado !

Mandiopã

Eu estava sentada de frente a tv ja era noite a luz estava acesa e mamãe na cozinha fritava mandiopã
Pra quem nunca viu mandiopã é um alimento rico em amido. As pequenas e duras rodelas esbranquiçadas se transformam em petisco leve e crocante, e deve ser frito antes de consumido. Tinha a fama de ser encharcado de óleo, mesmo assim fez sucesso nas décadas de 1960
Escutei falar então que o  presidente Kenedy dos Estados Unidos foi assassinado 
Corri pra mamãe fui contar o que ouvi e junto com ela entristeci
nem sei o porque tinha por ele admiração, 
talvez porque mamãe comentava da grande nobreza que nele encontrava
eu era pequena nem tinha seis anos
só sei que senti a morte de um homem de grande valor
e ficou bem gravada a cena da morte do Kenedy e do mandiopã



Benção do vovô

Quando o vovô Ivan eu encontrava
Antes de mais nada ele dava
Sua mão para eu beijar
Eu tão pequena não entendia 
Mas como sempre obedecia
E sua mão eu ia beijar
Beijei sua mão tantas vezes
Tantas que nem sei contar
Mas depois de tantas vezes a sua mão eu beijar.....
Perguntei, fiquei sabendo
Que ao beijar sua mão
Vovô estava querendo me abençoar
Tantas vezes eu beijei a mão do meu vovozinho
Sem saber que naquele gesto 
Ele estava pedindo pra Deus
Bençãos pra sua netinha!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Vovó e a uva

Num tempo muito distante
nem um metro eu tinha ainda
vovó estava doente e comer já não podia
compravam então para ela uma uva bem verdinha
uva rara e cara naquele tempo
mas para agradar vovozinha
procuravam até achar
e quando aquele cacho chegava
uva italia como chamavam
os meus olhinhos ficavam brilhando
brilhando querendo um cacho
mas sabia que não devia pegar
nem um gomo da uva daquele cacho
mas vovozinha com um amor que só ela tinha
me colocava deitada bem grudadinha na cama que ela ocupava
e colocava na minha boca uma a uma as uvas verdinhas as uvas daquele cacho
eu bem pequena de nada entendia
só o que sentia era
o grande amor que por mim ela tinha
logo logo ela partiu
mas aquele gesto ficou gravado pra sempre em mim
ficou o cacho de uva que vovó deu para mim