segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Escada amarela

Naquela escada amarela quantas vezes eu brinquei .....
era amarela,era de pedra e dos 7 aos 18 anos aqueles degraus muitas vezes pisei !
Todos os dias  pegava um baldinho com agua , sapolio e um paninho e esfregava desde o alto cada um de seus degraus até ficar bem limpinho .
E então iniciava a viagem tão planejada pois a escada amarela se transformava no carro que eu brincava sempre usava os três primeiros degraus da parte de baixo da escada ao lado a muretinha era a minha janelinha do outro lado acomodava direitinho minha amada maninha no degrau de tras colocava as bonecas os cobertores e alguma comidinha e assim com tudo acomodado partiamos para nossa viagem! 
Quantas viagens fizemos eu as bonecas e a amada maninha ,quantos mundos visitamos, iamos sempre cantando e ficavamos por muito tempo passeando ! 
Que saudades da nossa escada de pedra amarela que nos levou tanto a passear sem nunca sair do lugar!

domingo, 14 de setembro de 2014

Noite de Santo Antonio



Em um  lugar bem distante e num tempo distante meio seculo daqui na cidade São Paulo minha terra natal Pinheiros bairro que me viu crescer em frente a casinha da rua Artur Azevedo 1805 uma fogueira eu vejo e ......
suas grandes labaredas dançam agitadas alegrando a meninada 
a noite é de Santo Antônio que mamãe tinha grande devoção 
e todo ano preparava para sua comemoração 
quentão,pipoca e um bolo de fubá bem grandão, ela dizia que era pra comemorar o aniversariante do dia e que todos os que tinham Antonio no nome deviam também festejar eu ficava feliz  por que no meu nome tinha um pouco do santo também e assim eu passei a admirar o santo que todo o ano mamãe preparava um bolo de fubá para o dia do santo comemorar
reuniam-se os vizinhos debaixo do nosso poste e mais a luz do luar pra festejar animados o dia do dito santo.
A noite passava assim .....
A gente comendo pipoca, 
cantando cantigas juninas que hoje ninguém se lembra mais 
Mas que cantarolava sempre e que trago bem gravada em mim e uma delas diz assim..

Com a filha de João Antônio ia se casar
mas Pedro fugiu com a noiva na hora de ir para o altar 
A fogueira está queimando, os balões estão subindo
João estava chorando e Pedro estava fugindo
e no fim desta historia ao apagar -se a fogueira 
João consolava Antônio que caiu na bebedeira 

e todos cantavam as crianças brincavam
outros dançavam na calçada bem rente a sarjeta
E olhando paro o céu a gente avistava com alegria coloridos e
iluminados balões
era lindo ..... 
Tudo era diferente, tudo era bem mais simples,e
com bem pouco quase nada acabava tudo em festa.
Era assim naquele tempo, era assim naquele lugar ! Mas isto tudo está lá meio seculo atrás



arredores da casa da artur

sábado, 13 de setembro de 2014

Pega você cao


Me lembro ainda me lembro
Eu era muito pequena acho que tinha uns dois anos
A casa também bem pequena 
Me lembro eu estava lá
Me lembro ou ouvi alguém me contar
Sei que ficava com meu irmão no portão sempre a me ensinar
Que você na uá socissa não pó de pega você cao
Ele também tão pequeno de me perder tinha medo
E ficava a me cuidar
Cuidados de um pequeno menino
Que medo tinha de sua maninha 
Correndo pra rua sozinha um carro poder pegar
Me lembro não sei se me lembro 
Ou será que ouvi alguém me contar ?

A blusa de banlon



Mamãe sempre tão materna gostava sempre de me vestir com roupa igual de maninha e então sair por ai.
Um dia ela nos vestiu com uma saia branca ela era de algodão e uma blusa vermelha que se chamava banlon, na moda naquele tempo, naquele tempo tão bom.
Mamãe também colocou a sua saia branquinha e pra não ficar diferente ela também botou sua blusa vermelha e igualzinha a nós ficou.
Então saimos as tres alegres a passear descemos a rua Pinheiros para o vovô visitar, eu me sentindo importante vestindo igual a mamãe com minha  blusa vermelha que se chamava banlon !



O ziper no pipi

Naquele dia ai meu Deus
que correria danada
mamãe saiu pra comprar um lanche pra meninada
ficamos em casa brincando maninho, maninha e eu
maninho ficou apertado e um xixi foi fazer 
e naquela pressa danada querendo voltar pra brincar 
o ziper fechou correndo 
e os dentes do tal do  ziper 
mordeu um pedaço da pele do pipi do apressado
Quando vi lá estava ele sentado no chão e chorando, 
chorando desesperado.
Eu corri para a vizinha 
a querida Maria Antonia que logo correu para acudir 
o pequeno apressado, 
e com aquele jeitinho amoroso que só uma mãe é que tem 
livrou o pipi do maninho do ziper esfomeado !

Mandiopã

Eu estava sentada de frente a tv ja era noite a luz estava acesa e mamãe na cozinha fritava mandiopã
Pra quem nunca viu mandiopã é um alimento rico em amido. As pequenas e duras rodelas esbranquiçadas se transformam em petisco leve e crocante, e deve ser frito antes de consumido. Tinha a fama de ser encharcado de óleo, mesmo assim fez sucesso nas décadas de 1960
Escutei falar então que o  presidente Kenedy dos Estados Unidos foi assassinado 
Corri pra mamãe fui contar o que ouvi e junto com ela entristeci
nem sei o porque tinha por ele admiração, 
talvez porque mamãe comentava da grande nobreza que nele encontrava
eu era pequena nem tinha seis anos
só sei que senti a morte de um homem de grande valor
e ficou bem gravada a cena da morte do Kenedy e do mandiopã



Benção do vovô

Quando o vovô Ivan eu encontrava
Antes de mais nada ele dava
Sua mão para eu beijar
Eu tão pequena não entendia 
Mas como sempre obedecia
E sua mão eu ia beijar
Beijei sua mão tantas vezes
Tantas que nem sei contar
Mas depois de tantas vezes a sua mão eu beijar.....
Perguntei, fiquei sabendo
Que ao beijar sua mão
Vovô estava querendo me abençoar
Tantas vezes eu beijei a mão do meu vovozinho
Sem saber que naquele gesto 
Ele estava pedindo pra Deus
Bençãos pra sua netinha!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Vovó e a uva

Num tempo muito distante
nem um metro eu tinha ainda
vovó estava doente e comer já não podia
compravam então para ela uma uva bem verdinha
uva rara e cara naquele tempo
mas para agradar vovozinha
procuravam até achar
e quando aquele cacho chegava
uva italia como chamavam
os meus olhinhos ficavam brilhando
brilhando querendo um cacho
mas sabia que não devia pegar
nem um gomo da uva daquele cacho
mas vovozinha com um amor que só ela tinha
me colocava deitada bem grudadinha na cama que ela ocupava
e colocava na minha boca uma a uma as uvas verdinhas as uvas daquele cacho
eu bem pequena de nada entendia
só o que sentia era
o grande amor que por mim ela tinha
logo logo ela partiu
mas aquele gesto ficou gravado pra sempre em mim
ficou o cacho de uva que vovó deu para mim