sexta-feira, 25 de março de 2016

Escola Fernão Dias Paes

Estou eu la em 1966  no Fernão Dias Paes minha escola no bairro de Pinheiros em são Paulo.
Da infância feliz e tranquila , a despeito da turbulência política que desfilava  pelo pano de fundo de minha inocência. Eu não tinha ideia nesses tempos o que viria depois, e o que o final de milênio descortinaria.


Mas eu estava ali assistindo a aula de dona Carolina a qual eu tinha grande admiração e que foi para mim exemplo de amor!
Eu passei então para o quarto ano e em 1967 Dona Maria do Carmo irmã de Dona Carolina passou a ser minha professora e eu tão pequena em 1968 tive que enfrentar o exame de admissão para o ginasial.
Meus pais acharam que eu poderia prestar o exame sem fazer o cursinho de admissão de dona Guiomar e Dona Iolanda . Na sala de sua casa na rua Mateus Grou onde elas preparavam os alunos para o desafio de serem admitidos no Fernão.Prestei o concurso de admissão sem fazer o quinto ano com a Dona Guiomar e consegui passar mas não consegui pontuação para cursar o ginasial no Fernão, fui transferida para um anexo na Rua João Moura no Colegio Cerqueira Cesar , mas o que foi plantado no Fernão ficou para sempre o Orfeão do professor Aricó Jr,Dona Dinorah minha professora do primeiro ano,Dona Lourdes, as  aulas no barracão como eram chamadas as salas de madeira que ficavam no patio.... o Fernão ficou ...e fui conhecer outros amigos e novos professores no novo colegio .
Durante quatro anos fiz o trajeto diario de pegar o onibus na Teodoro e descer na João Moura e conheci professores severos como o Chalita de história o professor de Matematica que por usar um vasto bigode era chamado de Escovinha. 
1968 passou e veio 69, com toda a efervescência em que o governo militar, o tropicalismo, a incerteza, o rock, o AI5, a contracultura e a puberdade nos mergulhariam. Em 70 ouvíamos os Beatles na rádio Excelsior, assistíamos as românticas novelas da TV Globo, líamos a Coleção das Moças na Biblioteca do Fernão e começávamos a conhecer a língua inglesa com o Let’s Learn English de dona Zilda. Ah, e decorávamos Castro Alves e Gonçalves Dias para os Jograis das aulas de Português
Os anos se passaram e chegou o momento de fazer um exame e conseguir ingressar no Colegial do Fernão .
Consegui passar no exame e comecei o colegial  no Fernão em 72 e novamente me separei das minhas colegas ,algumas partiram para outros colégios, outras mudaram de período; mas novas amizades começaram e muitos de nós iniciaram os primeiros namoros ali mesmo, no pátio amplo entre as árvores, os murinhos convidativos e a cantina. 
1974 trouxe a formatura e me viu deixar o Fernão. 
Pinheiros havia mudado: a rua Teodoro Sampaio, que em 67 ainda abrigava bondes e tinha duas mãos, agora era corredor de ônibus e centro comercial de intenso tráfego humano. O Fernão crescera e ganhara a estátua do bandeirante.

O uniforme fora trocado duas vezes, e o comprimento exigido das saias passara por tantas alterações quanto nossas flutuações hormonais adolescentes...
Estávamos prontas para tentar o ingresso no mundo universitário. E partimos daquele ponto comum rumo a outros lugares, próximos ou distantes, mas sempre desafiadores. Algumas de nós mantiveram contato; outras voaram mais longe e sumiram no horizonte. Porém não há nenhuma de nós, daquela Primeira série de 1964, que possa negar a influência enorme que o Fernão teve em nossas vidas. 

Faz já quase 50 anos que deixei o Fernão, e às vezes ainda sonho que estou ali dentro, sentada em uma sala de aula; e é apenas nesses sonhos que um vislumbre da criança e adolescente que eu fui aflora em mim. Um não-sei-quê de entusiasmo, de esperança, de medo do desconhecido e de ansiedade pela abertura de caminhos que o futuro traz... Então acordo e lembro que não me sento mais em bancos escolares. 

Que pena. O meu Fernão ficou parado em 1974. Mas nunca será 
esquecido.

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